Com 90 anos completados em agosto e com nova produção de telas, o artista Jacques Douchez está comemorando com uma mostra retrospectiva na galeria de arte Lordello & Gobbi, em São Paulo. Este site também comemora a longevidade do criador franco-brasileiro, disponibilizando neste link o catálogo dessa mostra antológica, com belas imagens e textos de autoria do curador da mostra, Antonio Carlos Abdalla, e do crítico Alvaro Machado. Também neste site, em Galeria de Arte, veja três gravuras em grandes formatos de autoria de Douchez, à venda.
Sobre Douchez, um dos principais integrantes do Atelier Abstração nos anos 1950, em São Paulo, Abdalla afirma, no texto de catálogo : “Incorporando um novo universo sensitivo à sua trajetória – que faz vibrar em novo diapasão o impacto da figura, da geometria e da perspectiva – podemos desvendar nova expressão, que define, ainda que de maneira incompleta, o novo período de sua obra: Geometrismo Lírico. É algo que ultrapassa o conhecido, acrescentando lirismo à escola já consagrada da Abstração Geométrica”.
A mostra Geometrismo Lírico será aberta no dia 28 de setembro, quarta-feira, às 19h, na Galeria Lordello & Gobbi, em São Paulo (rua Peixoto Gomide, 2020, Jardins, tel. 011 – 3088 1632). A visitação de segunda a sábado é feita das 10h às 18h, até 22 de outubro.
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Tulio Carella foi dos escritores mais
prestigiados dos anos 1940-1950
na Argentina: poeta, autor de importantes
ensaios sobre a cultura portenha e dramaturgo
premiado, também exerceu a crítica teatral,
assinou roteiros de cinema e deu aulas de
Teatro e Belas Artes em cursos superiores.
Em 1960, cansado do clima de instabilidade
política em Buenos Aires e da censura velada
e hipocrisia no ambiente cultural, aceitou
convite para ensinar teatro na Universidade
Federal de Pernambuco.
A luz e a sensualidade do Recife impactaram
o argentino. Apesar do clima de embates
políticos pré-ditadura militar e de sua percepção
crítica das mazelas locais, encantou-se com
o que acreditava ser a perfeição das formas:
os corpos de negros e mestiços que circulavam
pelas ruas, bares e cais do centro da cidade.
A diferença de língua e a visão estreita
da maioria dos colegas acadêmicos levaram-no
ao isolamento e à solidão. Carella aproximou-se,
então, do circuito homossexual do Recife
e entregou-se à experiência dos sentidos,
passando a viver uma inesperada “segunda
juventude”. Como novo Don Juan, colecionou
dezenas de aventuras amorosas e sexuais com
tipos anônimos, que registrou com forte carga erótica
em seus diários íntimos, junto a aguçadas
observações sobre a rotina social pernambucana.
Mais tarde, combinadas a outras molduras narrativas,
tais confissões resultaram neste livro,
ponto culminante de sua trajetória literária.
O surpreendente e trágico final da história
de Carella no Brasil inclui sua prisão
e tortura para confessar suposto contrabando
de armas vindas da Cuba revolucionária,
e, ainda, sua deportação extraoficial. Um estudo
de caso, a partir de pesquisas no Recife e em
Buenos Aires, constitui a Introdução deste livro.
Na Argentina, além de problemas ocasionados
por seu temperamento franco, a publicação
do diário recifense marginalizou o escritor
e relegou-o à condição de autor cult
Além de artistas e intelectuais de pensamento
Inovador, a ditadura local também listou e
perseguiu homossexuais.Carella abandonou
o meio teatral e tornou-se recluso.
Seu nome foi esquecido pela crônica
literária e desde então nenhum de seus livros
foi reeditado.
Contudo, seu olhar visionário, a diversidade
de seus interesses, sua erudição, a força e
refinamento de seu estilo construíram
uma obra que é fonte permanente de interesse
e prazer. Como afirmou o tradutor de Orgia,
o escritor pernambucano Hermilo Borba Filho,
Tulio Carella foi “um dos escritores mais sérios
desta ainda inválida América Latina. Os raios
de sua estrela alcançam uma faixa limitada;
por enquanto, porque certamente, um dia,
multidões serão atingidas por sua luz”.
Alvaro Machado
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Com o título acima, o escritor JOSÉ MARIO RODRIGUES publicou, em 21 de maio, artigo no “Jornal do Commercio”, do Recife, sobre o lançamento da Opera Prima Editorial, ORGIA, OS DIÁRIOS DE TULIO CARELLA
Na “Trajetória de uma confissão”, título da introdução do escritor e jornalista Alvaro Machado, há uma máxima que virou epígrafe do livro do notável argentino, usada para explicar a sua concupiscência: “A noite e a solidão estão plenas do diabo.” Conheci Tulio Carella em Buenos Aires, numa época de instabilidade política de lá e daqui. Ele estava sendo monitorado pelas forças militares, sobretudo por ter sido preso, equivocadamente, em Fernando de Noronha, como se fosse contrabandista das armas vindas de Cuba para as Ligas Camponesas. Sem essa republicação de Orgia, traduzida por Hermilo Borba Filho, eu iria passar batido. Não teria conhecimento da obra deste escritor que foi ensaísta, dramaturgo, poeta. Não há nada dele publicado entre nós. Mesmo o diário ora lançado, cuidadosamente, pela editora Opera Prima, foi esgotado na época ou sua tiragem, como sempre acontece aqui, foi reduzida. Que bom seria se Alvaro Machado nos desse outros livros deste argentino que Hermilo considerou “um dos mais sérios dessa inválida América Latina”.
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Novidade para amantes do cinema russo e do cinema de Sokurov, Eisenstein e Tarkovski. Vale a pena ir até a o campus da Universidade de São Paulo.
Em 30 de março, na Casa de Cultura Japonesa (USP), tem início a Mostra Didática Sokúrov Oriental que apresenta e coloca em debate os quatro filmes do Ciclo Oriental realizado pelo cineasta russo ALEKSANDR SOKÚROV.
Organizada por jovens pesquisadores que compõem o GE E.XXI – Grupo de Estudos Eisenstein no Século XXI (DLO/FFLCH/USP), a programação tem entrada franca e acontece mensalmente, às quartas-feiras entre março e junho, sempre às 17:30h.
Confira programação e localização no site do evento: http://sokurovoriental.wordpress.com/
A versão original dos filmes é russa e as legendas são em inglês (Dolce, Vida Humilde e Elegia Oriental) e em espanhol (Hubert Robert). As apresentações e debates, em português. A mostra é prioritariamente dirigida à comunidade acadêmica e interessados em cinema, artes e em cultura russa e japonesa.
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Com Capital – São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, os paulistas Juan Esteves, fotógrafo (nascido em Santos, SP), e Antonio Carlos Abdalla, curador de mostras de artes visuais e especialista em museologia (paulistano do Bexiga), comemoram o primeiro passo de um projeto de documentação artística da cidade de São Paulo. O volume lançado em dezembro de 2010 aborda a região mais central, em torno do marco zero, na Praça da Sé, e também o chamado Centro Novo. Mas esse passeio pelas fachadas históricas de São Paulo se estenderá em breve às demais regiões da cidade. Notas sobre cada um dos prédios foram pesquisadas por Denise Lorch e encontram-se ao final do volume.
Parte da trajetória arquitetônica da cidade, especialmente nos últimos cem anos, é recontada, assim, de uma maneira original. As fotos e comentários abordam escolas, igrejas, edifícios comerciais e moradias ilustres. Em seu prefácio à edição, patrocinada pela Brasilprev, Esteves fala de suas escolhas técnicas: “O uso do preto e branco remove a temporalidade dos edifícios, tornando-os mais palpáveis em suas nuances, em suas tonalidades, e principalmente em suas belíssimas geometrias (…). A remoção dos ruídos [tais como pichações, aparelhos de ar condicionado, postes e fiações], que impedem a visão clara, os tornou definitivamente mais legíveis e, em certos casos, renovados em seu esplendor original”.
O livro está sendo vendido com exclusividade por este site.
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